Análise por quê? (Parte 1 ou prelúdio)

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Por quê? Você sabe bem porquê. Você sabe, pois o inconsciente é raso, e não profundo como estamos acostumados a interpretar. Mas você não sabe exatamente do que se trata este saber. Por um motivo estranho qualquer, lá está você de volta, na ideia de começar uma analise, na ideia de sair da analise, na ideia de mudar de analista ou dentro do consultório do analista. Vai saber.
Evidente que falo de quem tem um mínimo de transferência com este mundo “psi” de psicoterapia, terapia, análise, psicanálise, essas coisas aí. E coloco assim, jogado e sem distinguir por enquanto, de propósito, porque essas “coisas aí” guardam em comum o fato de você ir falar de si, principalmente do que o faz sofrer, para alguém. Tem gente que não tem nada disso atravessado em si, vive sem e vive muito bem, obrigado. Análise não é pra todo mundo, nunca foi e nunca vai ser, senão estaríamos no campo da religião. É desse ponto que quero partir. Entrar em processo analítico não é melhor nem pior que não entrar. Mas é diferente. E esse processo não significa apenas freqüentar um consultório, claro. Isso fica meio evidente pra quem passou por essa experiência e isso pode se tornar um problema. O sujeito vê ou quer acreditar que as coisas vão melhorando um pouco na vida e começa a pregar a análise igual religião. Recebi uma paciente esses dias, extremamente incomodada com a sensação de que o fato de estar freqüentando um psicólogo transmitia a sensação de aderir a uma torcida de futebol. Salvas as devidas questões específicas deste sujeito, acredito que a questão é legítima. Pra quem trabalha com isso, deveria a até ser boa a sensação de que tem muita gente falando dos benefícios deste tipo de tratamento, mas o tiro no pé também pode ser certeiro. Lembrei agora duma discussão que presenciei no tempo da faculdade, em que o principal argumento de uma das partes era “eu faço analise”. Sem mais.
Mas vamos lá, isto tudo foi só um prelúdio. Um jeito de dizer quem não direi do que acredito que passe pela sua cabeça, por passar na minha, ao dizer sobre fazer análise. Como disse, é no mínimo diferente de não fazer. Cada sessão, se bem conduzida, marca um ponto que torna a experiência de vida irreversível depois dele. Uma sessão de análise prova que o principal responsável pelo sofrimento relatado é o esforço que você faz para voltar sempre ao mesmo ponto. Depois de um tempo, a gente vai tendo menos medo da diferença que se impõe depois de uma sessão, acaba desenvolvendo até uma simpatia pela aleatoriedade do mundo. Logo menos, continuaremos este monólogo articulado.

fotinha lucas
Lucas Vinco é psicólogo em Ribeirão Preto, psicanalista, mestre em Saúde Pública pela Escola de Enfermagem da USP, professor de psicologia e gestão de pessoas na REGES – RP, psicólogo na Saúde Mental e nos Recursos Humanos na prefeitura de Sertãozinho.

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