Receita para não morrer afogado nestas eleições.

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Não teve jeito, minha cabeça está totalmente mergulhada nas eleições. Na verdade, devo especificar que não se trata da eleição propriamente dita, mas da propaganda, do efeito de marketing que nos guia e das crendices que são inauguradas. Inauguradas num museu de grandes novidades. Sabe criança quando toma “caldo”? É mais ou menos assim que tenho me sentido neste mergulho, respirando água.
No palanque da minha timeline tem gente que defende o gato Fidélix, outros, dizem que se ele passar na sua frente, dá azar. Acho que alguém aqui pirou. Não é que eu esteja com medo ver mula sem cabeça na minha frente. É que eu to vendo gente montado na mula, fazendo selfie. Estou convencido, a mula existe. Você deve se perguntar por que a minha surpresa. Pois é justamente isso: estou surpreso de que isso tenha um valor isolado, a crendice reina soberana. Vou votar na crendice, porque ela está à frente das estatísticas, contando com a margem da margem da margem de erro do ibope. Segundo essa margem, eu sou um marginal. Ainda, bem, tem hora que não quero fazer parte de nada disso, mas não tem jeito, a gente sempre está em um discurso. A propaganda eleitoral protagonizada pelos eleitores funciona mais ou menos como um oráculo, você sempre se encaixa em alguma coisa, que seja num rancor narcísico.
Entender que as pessoas reproduzem discursos que estão aí desde a época do guaraná com rolha me dá a leve sensação que só outra propaganda será capaz de mudar a cabeça das pessoas. Isso eu aprendi na umbanda, tem exu que só exu bate. Já que é pra ser reprodutor, que sejam discursos que prejudiquem o mínimo possível a vida das pessoas. Ocorreu-me escrever “atrapalhem” ao invés de “prejudiquem”. Mas, não sei, não ter dinheiro no bolso me atrapalha, mas tomar surra porque nasci com o polegar azul me prejudica. Jóia? Não, espera, o que você vai dizer pro seus filhos sobre pessoas que fazem “jóia” azul…? Melhor enfiar meu polegar na rima.
Fiz um top five dos absurdos que ouvi de gente que se leva a sério. E não vou colocar pra não soltar um traque nos escombros da terceira guerra.
Não vou votar em você, vou votar na crendice, como disse. Mas, candidato, perto de alguns de seus eleitores, quer ser meu BFF? Sério, bora dar um tiro junto. Já que é pra ficar doido, pelo menos a bad trip passa. Sério, sério mesmo, a coisa ta séria. Vamos ao receituário:
1º Religião não nada a ver com política. E eu acabei de te contar a maior mentira, baseado na simples observação da vida prática, que você escutou esse ano. E olha que esse ano rolou mentira. Muitos valores que guiam estes votos são eminentemente religiosos. Os políticos sacaram isso já, não?
2º A ditadura militar, pelos relatos de gente que eu confio e não teria porque estarem fazendo tipo pra mim, foi um buraco negro. Sugou educação, sugou dinheiro, sugou sangue. Não peça que isso volte.
3º Não chame seu colega que vota diferente de imbecil. Cabem vocês dois no mundo.
4º Se você acha que a formação universitária é uma enxurrada esquerdista, você deve estar bem longe da faculdade, e há bastante tempo.
5º e último. Se você também está se sentindo afogado, saiba que não está sozinho. Bom domingo.

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Lucas Vinco é psicólogo em Ribeirão Preto, psicanalista, mestre em Saúde Pública pela Escola de Enfermagem da USP, professor de psicologia e gestão de pessoas na REGES – RP, psicólogo na Saúde Mental e nos Recursos Humanos na prefeitura de Sertãozinho.

Os mau humorados que me perdoem, mas humor é fundamental.

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O riso do humor é diferente da risada de deboche, de “sem graceza´´, ou daquela que tem cara de primeira passagem do trem para as terras “dos sem dor´´. Rimos da surpresa, da desmedida, não para destruir, mas para ultrapassar elegantemente uma ordem estabelecida.

Para rir precisamos ter ativo mais de um “nível mental´´ (ou dimensão, mais chique).Uma piada que veicule uma crítica à fome no mundo só será entendida ou apreciada de for processada em mais de uma dimensão mental, do contrário, será simples retrato de uma catástrofe social, afinal, ninguém deveria mesmo achar graça de alguém passando fome.

Crítica bem humorada “entra direto´´, não necessita do trabalho das intelectualizações para aqueles que possuem os recursos para apreende-la, ela não tenta comunicar , simplesmente fisga pela boca.

Na escola me contaram que na Idade Média era proibido rir, proibição muito bem arquitetada; um Deus único, sério e inquestionável – Posso ouvir daqui as risadas do Olimpo com seus Deuses diversos, tortos e…cheios de humores.

Nietzsche diz que o Futuro está reservado ao riso ( Gaia Ciência).Ri quem percebe mais de uma realidade atuando ao mesmo tempo e, com mais de uma opção já podem ocorrer escolhas – mudar já não é mais morrer.

Para o homem, um pobre “gauche na vida´´ (indico! http://sintomalivre.com.br/2014/06/16/como-me-afoguei-em-um-mar-de-rosas/), rir é uma urgência!

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Manoela Ferreira é Psicóloga clínica em Ribeirão Preto, formada pela FFCLRP-USP, tem muitos dias de mau humor e organiza o “Entretantos”.